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Instituto de Pesca desenvolve pesquisa com pescado selvagem

Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apresenta pesquisa com pescado selvagem para alimentação do brasileiro.

Dentro dos objetivos para o desenvolvimento sustentável temos como prioridade global atingir a segurança alimentar e acabar com a desnutrição. A importância da pesca nos sistemas alimentares locais e globais e a sua contribuição para a nutrição e saúde, particularmente para os menos favorecidos, nem sempre tem seu valor reconhecido.

Por outro lado, o desenvolvimento e lançamento de novos produtos alimentares têm aumentado significativamente na indústria alimentícia mundial, por motivos como a globalização, o aumento das exigências do mercado e da valorização dos processos de produção por parte dos consumidores.

As novas tecnologias, ligadas ao fluxo de informação e de transportes, permitem que novos produtos sejam distribuídos cada vez mais rapidamente em diferentes mercados, fato que tem gerado modificações nos hábitos de consumo alimentar em todo o mundo. Pode-se dizer que o consumo de determinados alimentos se tornou globalizado, como é o caso do salmão de cultivo.

De acordo com Andréia Marize Rodrigues, que estudou a concentração de micro e pequenas empresas de alimentos do município de Marília – SP, no Departamento de Engenharia Mecânica da USP – São Carlos, as empresas de alimentos orientadas para os clientes são relativamente inovadoras e trabalham com um tempo de resposta cada vez menor e mais eficiente, possibilitando o aparecimento de um novo padrão de produção, baseado num novo padrão de consumo. 

Atualmente, observamos mudanças nos produtos, nos processos de fabricação e na forma de organização das empresas. Tais mudanças assumem grande importância em razão da capacidade de discernimento dos consumidores quanto à qualidade, aparência, funcionalidade e ao valor dos produtos que adquirem.

A qualidade é fator determinante no mercado de alimentos, garantindo a sustentabilidade da cadeia de produção. No caso do pescado nacional, os consumidores brasileiros ainda têm pouca informação disponível, não sendo tão exigentes quanto aos vários aspectos da qualidade desse alimento, a qual já é impactada na sua origem, uma vez que o pescado reflete a qualidade do ambiente onde foi colhido ou capturado.

No caso do pescado de extrativismo também temos que estar atentos aos períodos de defeso, ou seja, quando a espécie não está liberada à captura, uma vez que se encontra no período reprodutivo, como o Pargo (Lutjanus purpureus) que não pode ser capturado de 15 de dezembro a 30 de abril. Informações sobre o período de defeso de outras espécies podem ser acessadas por meio do site do Instituto de Pesca, clicando aqui.

A origem do pescado vai impactar diretamente a sua qualidade e a segurança do consumidor, enquanto a atenção ao defeso impactará positivamente no controle dos estoques pesqueiros.

Apesar dos números indicarem um crescente consumo de pescado em geral, grande parte do pescado consumido no mercado interno é estrangeiro. Mas o controle dos estoques pesqueiros é de grande valia para o país, uma vez que temos uma gama de espécies sendo exploradas, inclusive pela pesca internacional. No entanto, muitas delas apresentam estoques reduzidos.

Um exemplo atual do impacto do consumo sobre os estoques são os pepinos-do-mar, que são considerados uma iguaria dietética e muito utilizados pelos asiáticos, ao longo de muitos séculos, na cura medicinal.

No Brasil, o pepino-do-mar é uma das espécies foco do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais). De acordo com informações do Livro Vermelho de Invertebrados Aquáticos, as populações vêm apresentando redução. A não regulamentação na exportação levou ao esgotamento e medidas para a conservação se tornam urgentes, uma vez que a espécie está ameaçada de extinção ou de sobre-exploração.

No litoral de São Paulo, a atividade extrativa e o comércio informal de pepinos-do-mar Holothuria grisea ocorrem no litoral norte e nas áreas adjacentes aos costões rochosos na Baía de Santos-SP.


Neste sentido, o Centro Avançado de Pesquisa do Pescado Marinho do Instituto de Pesca, vem avançando com o Monitoramento das espécies marinhas associadas aos costões rochosos e capturadas na Baía de Santos, projeto coordenado pelo pesquisador Luiz Miguel Casarini, no qual a Unidade Laboratorial de Tecnologia do Pescado, em parceria com o Instituto Adolfo Lutz, realizou um diagnóstico higiênico sanitário e o levantamento dos aspectos nutricionais e de mercado dos pepinos-do-mar, entre outras espécies da região.

Os dados parciais do projeto indicam que o comércio informal desses organismos incorre em risco à saúde dos consumidores e à extinção da espécie. Assim, a informação quanto à origem do pescado é requisito para a garantia da segurança no seu consumo e da sustentabilidade na sua produção.

A ideia do grupo agora é avançar no incentivo para desenvolvimento do potencial zootécnico e uma proposta de produto à base de pepino-do-mar para o comércio nacional, bem como, com a qualificação desse produto para o consumo, com vistas à prospecção de mercado e ao estímulo de seu cultivo.

 

Por: Erika Fabiane Furlan – Pesquisadora Científica do Centro Avançado de Pesquisa do Pescado Marinho – Instituto de Pesca

Foto: PxHere e Erika Fabiane Furlan (Holothuria grisea)


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